Diga-me com quem moras… e te direi quem és!

Encontrar as pessoas certas para partilhar as contas, os cômodos e a vida nem sempre é tarefa fácil. A colombiana Liliana Andrea Giraldo, 28 anos, engenheira de produção, já dividiu moradia com tantas pessoas e em tantos lugares que hoje não faltam histórias para contar. Atualmente ela mora no bairro Cerqueira César, na cidade de São Paulo, com mais duas pessoas. Abaixo ela conta as suas aventuras de roommate.

Ilustração: QuintoAndar.com

Você já dividiu apartamento com vários estrangeiros. Como foi essa experiência?

Saí de casa, numa pequena cidade no litoral do Caribe, com 16 anos para ir estudar em Medellín, na Colômbia. Isso foi em 2013. Nesse período de estudante mudei de casa umas 5 vezes. Sempre gostei de me divertir e conhecer novas pessoas, mas era difícil encontrar alguém que tivesse as mesmas afinidades.

Passei uma etapa de desconstrução em minha vida e decidi morar na Índia. Quando descobri que Mumbai tem custos de aluguel tão caros quanto Nova York, fiquei chocada.

Fui fazer um intercâmbio e descobri que o meu salário só dava para dividir o apartamento com uma galera. Uma galera mesmo.

Liliana Andrea Giraldo (28), engenheira de produção, no apartamento alugado em São Paulo. Foto: QuintoAndar.com

Fui morar então com mais 10 pessoas de varias nacionalidades: turcos, russos, alemães, espanhóis, outros colombianos e brasileiros. E foi aí que comecei me apaixonar pelo Brasil. Morávamos juntos, trabalhávamos, viajávamos e íamos em festas, todos juntos.

Depois de meses nesse esquema, começou a ficar estranho. Havia dias que era difícil chegar ao escritório e saber que pouco antes essa mesma pessoa que sentava ao meu lado havia deixado o banheiro sujo e agora eu tinha que aguentá-la por mais 8 horas de trabalho.

Além disso, lá eu dividia a cama (sim, a CAMA) com uma turca que não sabia o que era o talco para os pés, enxaguante bucal e nem usava desodorante. No fim, ela acabou ficando com ciúmes de mim porque tinha feito amizade com os amigos dela.

Você veio da Índia para o Brasil. Chegou aqui sem conhecer ninguém. Como foi a busca por roommates?

Vim como funcionária de uma empresa indiana que queria abrir um escritório aqui. A ideia era fazer home office, enquanto achava um lugar para montar o escritório. Foram dias tensos.

Comecei morando em uma república que achei em um grupo de Facebook. Moramos eu e mais quatro meninos que faziam faculdade de games. Muito barulho e bagunça. Como eu ainda não tinha muitas opções, tive que ficar lá por dois meses. Logo, achei uma moça — também pela rede sociais — que estava querendo dividir o apartamento do lado da praça Roosevelt.

O preço era legal, me apaixonei pelo centro de São Paulo e pelo meu novo canto. Os meses passaram e um belo dia a moça me falou que na próxima semana iria sair do apartamento.

Voltei do trabalho uma segunda-feira e cena foi uma das piores que já vivi. Ela tinha levado tudo. Fogão, geladeira, até as lâmpadas e o chuveiro. Foram 3 dias em pleno inverno de querer morrer.

Não entendia bem porque isso tinha acontecido, mas também não podia ficar me lamentando. Depois, entrei em um site de aluguel de quartos e achei a minha casa atual. Estou aqui há quase 2 anos e hoje o que mais valorizo é a tranquilidade, limpeza e respeito.

Estou procurando um novo canto, agora que minha condição de emprego tem melhorado um pouco e espero achar a pessoa certa para continuar dividindo experiências.

Mural de lembretes no quarto de Liliana, em São Paulo. Foto: QuintoAndar.com

Nesses anos dividindo apartamento, qual a sua melhor lembrança?

Tenho várias. Uma vez dividi com um francês que era instrutor de parapente. Combinamos de viajar. A tarefa dele era me “voar” de graça e ensinar francês. Eu, por minha vez, ensinava receitas de pratos colombianos para ele.

Também na Índia, a gente não tinha nem televisão nem muita coisa para se entreter, então fazíamos saraus. E uma vez decidimos fazer churrasco e tivemos que ligar para o “beef guy” (um contrabandista de carne). Mas os vizinhos hindus começaram a sentir o cheiro de carne e apareceram super irritados. Até que se juntaram à festa.

Houve momentos tão legais que nem dava tempo de saudades de casa. Estávamos rindo o tempo todo.

Outra recordação boa foi aqui no Brasil, no natal passado, quando minha mãe chegou dia 25 super cedo. Quando entrei com ela em casa, o meu roommate e a irmã dele ofereceram para a gente um super almoço de natal!

Liliana: “Estou procurando um novo canto e espero achar a pessoa certa para continuar dividindo experiências.” Foto: QuintoAndar.com

Qual conselho você daria para quem pensa em rachar a conta do aluguel com outra pessoa?

No possível, divida com amigos ou parentes. Encontrar pessoas boas, sem conhecê-las é sempre uma loteria. Como fala um ditado colombiano: “é melhor um mau conhecido do que bom por conhecer”.

Também tentar fazer uma rotina de limpeza tem funcionado agora que moro com dois homens (um final de semana, uma pessoa limpa o banheiro e a outra a cozinha, e assim por diante). Para jogar fora o lixo, é legal também acordar os horários e dias.

E cozinhar juntos é algo que une as pessoas. No meu caso, sempre funciona.



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